Internet, leitura e reflexão

 em Sociedade

Os adolescentes são fascinados pelas ferramentas da era digital. Eles não desgrudam do celular, vivem digitando mensagens de texto, passam horas escrevendo em blogs, navegando na web ou absortos nos videogames. Mas a dependência da internet não é exclusiva dos adolescentes. Todos nós, jovens e menos jovens, sucumbimos aos apelos do mundo virtual. Eu mesmo já fiz o propósito de não acessar meus e-mails nos fins de semana. Tem sido uma luta. Com vitórias, mas também com derrotas. Para o norte-americano Nicholas Carr, formado em Harvard e autor de livros de tecnologia e administração, a dependência da troca de informações pela internet está empobrecendo nossa cultura.

A internet é uma magnífica ferramenta. Mas não deve perder o seu caráter instrumental. Ler é preciso. Jovens e adultos precisam investir em leitura e reflexão. Só assim, com discernimento e liberdade, se capacitam para conduzir a aventura da própria vida. Compartilho com você, amigo leitor, algumas obras. Espero, quem sabe, que o estimulem nas férias deste mês de julho.

Mata! O Major Curió e as guerrilhas no Araguaia ( Editora Companhia das Letras) é o registro rigoroso de um duro período da nossa história. A partir de um perfil biográfico do lendário Major Curió e da história da guerrilha e de seu extermínio – com base em documentos inéditos e depoimentos de vítimas, testemunhas e protagonistas da repressão militar –, o jornalista Leonencio Nossa, repórter do jornal O Estado de S.Paulo, lança um poderoso facho de luz numa quadra que pretendia permanecer na sombra. A seriedade na apuração e o texto jornalístico, saboroso e leve, dão ao livro o status de referência obrigatória.

What were they thinking? (Harvard Business School Press) é o título do livro de Jeffrey Pfeffer, professor de Stanford e um dos mais renomados gurus da administração na atualidade. No capítulo 3, comenta a grata impressão que lhe causou a experiência de ter sido professor visitante no Iese de Barcelona, a escola de negócios da Universidade de Navarra. “Bem na época em que saía a versão para o cinema do Código Da Vinci ”, diz Pfeffer, “eu passava umas semanas no Iese Business School, escola de negócios espanhola que figura entre as líderes do mundo. O que eu encontrei lá não foi nem cilícios, nem cadáveres, nem monges albinos: foi great management. Uma escola de grande sucesso. Eu me perguntava o que é que estaria por trás desse sucesso. Descobri que havia pessoas brilhantes, bem preparadas, que poderiam ter condições econômicas mais rentáveis em outros lugares, mas havia algo que as atraía e as mantinha lá: esse algo é caring culture (cultura de atenção, cuidados, serviço às pessoas). Como eu mesmo experimentei.” O livro, carregado de experiências, suscita inúmeras reflexões.

A Igreja das Revoluções (Editora Quadrante) é o último título da História da Igreja de Cristo, a monumental obra de Daniel-Rops. O autor, membro da Academia Francesa, estava trabalhando no 11.º, que trataria do Concílio Vaticano II, quando faleceu, em 1965. A multissecular história da Igreja, intimamente relacionada com a história da civilização, é um banho de cultura e um magnífico prazer intelectual.

Artigo publicado no jornal “Gazeta do Povo” dia: 08/07/2012. Leia
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